segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Beija-me [2]

Então beija-me as palavras antes que deixem minha boca
como quem mata sua sede com água minando da fonte
beija o verbo que vem vindo nos lábios, como horizonte
antes que vire um poema ou expressão vazia e oca..

Beija essa minha vontade antes que ela desaponte
tua vontade, também, pois a minha fé é bem pouca
pra acreditar que depois que minh'alma tira a roupa
haja no som das palavras que ela diz, algo que conte...

Beija a cegueira dos olhos e a fome dos meus dentes
beija o passado calado que cochila nos meus medos
beija o frio que abraça meus tremores mais ardentes

Lambe essas palavras antes que elas saltem dos meus dedos
beija a vida que repousa na libido dos segredos
dos dias que passam, mas ficam. feito marcas permanentes...

[Gil Costa]

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Beija-me

Vem, me diz quanto tempo falta pra que beijes minha boca
se a espera será pouca, se demorará a eternidade
Vem, me diz, com sinceridade, se este teu riso de brisa
em algum momento ameniza minha fome que é tamanha
se leva essa sede estranha de beber tua presença
se não: beija-me assim mesmo,
pra que minh'alma que anda a esmo
se embriague de tua essência...

[Gil Costa]

domingo, 3 de outubro de 2010

Amar é transgredir

Minha mão é calma, e meus pés não são ligeiros
Amo como uma velha oleira, que lenta, cuidadosamente...
Como quem planta semente, dá forma a vasos bem belos
Não sou de usar o martelo, mas uso água em pedras duras
Não me dou com ditaduras, mas há quem ache tortura eu deixar que seja livre
Há quem fuja e quem esquive desse meu abraço bambo
Saiba que, o carnaval que sambo é feito de liberdade
Então, quem quiser vir comigo, no fim, descobre que abrigo
É um campo aberto: não grade!


Gil Costa

domingo, 19 de setembro de 2010

"Nu"

'Quase nunca eu entendo o que ele diz
quando cala a vontade de suas mãos
se nem cabe no seu peito o coração
empurrado pela vontade de ser feliz


Sua pele me revela muito mais
do que esconde na palavra de sua boca
como o barco conta mais que o próprio cais
sua nudez me diz bem mais que suas roupas.'

[Gil Costa]

terça-feira, 7 de setembro de 2010

[Sobre]voar

Há um peso nesses dias em que a vida fica lenta
em que nada alimenta se não tua existência...
Tens o peso da ausência, o ruído da distância
agonia, a asma, a ânsia, a fraqueza e o meu medo
e ainda esse segredo de ser tanto e não ser tua...
minhas cartas, ninguém leu, estão no fundo da gaveta
é que não há uma receita pra deixar a covardia
e contar o que aqui arde toda vez que eu respiro
se meus sonhos e suspiros não cabem em nenhum lugar..
Seja meu chão e meu ar, tire meu ar e meu chão
e segure a minha mão já que eu não posso voar.
[Gil Costa]

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

[Sexta] ausência,

-
Pois hoje caminho com passos vazios
por ruas de pedras de outra cidade
que nem imaginam da minha vontade
o quanto me faltam teus toques macios

Cada novo passo é como se o rio
que corre em silêncio escondendo a verdade
soubesse o segredo da minha saudade
e o quanto minh'alma tem medo do frio

A tua ausência é o que há de mais presente
as cores desbotam, o tempo não passa
sorrisos se tornam semblantes dormentes

Tua ausência transforma alegria em fumaça
meu riso em murmúrio, liberdade em corrente
e faz do paraíso um deserto sem graça

[Gil Costa]

domingo, 15 de agosto de 2010

Oficio

Minha saudade viciou-se em precipícios
dos que custam uma vida a cada abraço
como se queda fosse um exercício
pra verticalizar, feliz, seus passos

Ele chama a constância, desperdício
e transforma poesia em estilhaços
forja versos, e chama isso de “ofício
dos que trazem no peito algum fracasso”

Minha saudade viciou-se na ausência
[ou a ausência viciou-se na saudade
por que bebe, o amor, dele, com frequência?]

E por fim, com toda a voracidade
devorou sem piedade ou paciência
os que dizem que existe a liberdade;

Gil Costa;

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A tua máscara.


Não te escondas dos fantasmas, meu amor
pois não há esconderijo que te caiba
eles farejam o teu medo aonde for
e sorrateiros te aguardam em emboscada

E não varras, apressado, a tua dor
pra debaixo do tapete do passado
cedo ou tarde vem o vento acusador
espalhando os medos teus por todo lado

ah, bem sabes que por mais que quedem mudas
tuas feridas, tuas fraquezas e teus erros
os seus ecos vivem em teu travesseiro

vai! enfrenta teu espelho, sobretudo
e não uses o teu riso como escudo
porque rir de tudo é puro desespero
[Gil Costa]

terça-feira, 27 de julho de 2010

"Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando."

[Pablo Neruda]

domingo, 25 de julho de 2010

...Porque o ar, assim como o tempo, traz momentos ocupados e que insistem em permanecer. Mesmo quando se está perto ou longe é preciso procurar, atentar, olhar, deixar guardado na lembrança, o toque no rosto, a mão na nuca e o toque das bocas. Como um olhar de lado, despercebido, sem vergonha, mordendo os lábios inferiores. Assim como cheiros que se confundem no ar. A vontade de ver, de falar, de estar perto, de lembrar e descobrir. E lembrar da cara que ele fica quando sorri perto de ti, mesmo que seja rindo de alguma bobagem que você falou, e falar sobre coisas difíceis e lembrar que nem tudo é... porque se tem momentos em que se fica mudo, apenas pensando sem saber o que falar. Emudecido. Quando se quer pensar mas não se consegue. Quando se pára pra pensar e não se pensa. Quando se quer decidir e nada muda. Porque a gente se acostuma ...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Chuva

Faz parar essa chuva com seus olhos de mar, com o seu respirar, com a força do abraço, essa chuva de ausências, de raios, de dormencias, relâmpagos lassos, faz meu peito acalmar...Entre a cal dessa corva, e o mar que renova essa falta de ar, pois de tudo que é mudo, não há nada no mundo, pior que esperar.

Faz a chuva parar, de regar as feridas, abertas da vida. Ah! se ela se misturasse, com o que corre em minha face, [nascentes doídas], e carregasse meu pranto, junto com meu desencanto, pra o inferno calmante de outras despedidas, seria enfim, seu beijo, aceito, pra selar minha partida.

[Gil Costa]

domingo, 11 de julho de 2010

"Tua boca"

Eu beijaria tua boca que é minha amiga
e me deixaria horas nos teus braços
como se teus lábios fossem como laços
pele quente mas com frio na barriga;

E diria entre dentes verbos lassos
sonhos que minha'alma a muito já mastiga
não engole, ou por medo ou por fracasso
da coragem e ousadia que mendiga;

E te levaria a um mundo recriado
pelo amor tão alvo que nos desobriga
desses egoismos vis, envenenados...

E não há no mundo versos que consigam
descrever meus sentimentos tão guardados
que só falam em tua boca [está, "minha"] amiga.

[Gil Costa]

terça-feira, 6 de julho de 2010

Realismo ou Fantasia.

Você quer que eu te toque de que jeito?
Com as mãos ou com os versos em poesia?
De que jeito isso mais lhe agradaria?
Sobre a pele ou por dentro do seu peito?
Qual meu toque lhe seria mais perfeito?
Realista ou transposto em fantasia?
De maneira que esquenta ou que arrepia?
Em um livro ou desnuda no teu leito?
Então diga, quer meu toque de que jeito?
Desnundando meu corpo ou minha alma?
Com gemidos ou com palavras ternas?
Me transformo em desespero ou calma?
Mas aviso,
Que se quer que eu decida,
Saiba, meu guia é uma fome atrevida
E sua carne é ceia para meu toque.

[Gil Costa]

sexta-feira, 25 de junho de 2010

"Há bens inalienáveis, há certos momentos que, ao contrário do que pensas, fazem parte da tua vida presente e não do teu passado. E abrem-se no teu sorriso mesmo quando, deslembrando deles, estiveres sorrindo a outras coisas."

[Mario Quintana]

sábado, 12 de junho de 2010

Na tua ausência.

Sabe o que eu faço com a falta dos meus versos?
espero vir o teu sorriso e ousadia
[tentação pro meu espírito deserto]
que sem palavras agoniza e silencia;

Sabe o que faço se tua mão não está perto
e a minha mão treme sozinha tensa e fria?
espero vir teus doces braços bem abertos
que sem palavras cabem tudo o que eu queria...

Sabe o que faço com meus dias tão incertos
quando não tenho teus olhos dia a dia
e os teus lábios labirintos pra libertos?

Ah, eu possuo a tua pele a revelia
no meu sonho mais secreto e encoberto
onde até mesmo a alma goza e arrepia.

[Gil Costa]




domingo, 6 de junho de 2010

"E portanto seja uma coisa passageira não um destino irremediável"

[Caio Fernando de Abreu]

domingo, 30 de maio de 2010

Sobre o ato de esquecer.

Eu nem lembro do acorde que fazia
tua canção, que me contava da saudade
eu não lembro, nem sequer da melodia
se era calma ou cheia de intencidade

Eu não lembro se o tom era mais grave
ou agudo, ou o que o refrão dizia
eu não lembro se tua voz era suave
ou raivoza, ou com tristeza, euforia

Eu não lembro nem sequer qual foi o dia
se era data especial se alguma festa
ou se só pra aliviar dor indigesta

Eu não lembro, mas também por que faria?
se esquecer é dom que traz alegria
se esquecer de ti é tudo que me resta

[Gil Costa]



domingo, 23 de maio de 2010

Nossa dança

Meu peito as vezes é um jardim
de rosas claras do amor mais doce
como houvesse toda a vida em mim
como se tudo colorido fosse

Noutras vezes, solo e pá de cal
onde enterro um amor do passado
de uma ausencia profeta do mal
que meus olhos miram, cansados

Guarda em si a força e a dor da morte
e o peso da desesperança
como fosse o mais seco dos cortes

Mas renasce e como uma criança
gira e roda e ri o riso mais forte
e faz da vida deliciosa dança;
[Gil Costa]

sábado, 15 de maio de 2010

Fim?

O quanto perderei se ele for?
se cansar do peso que tem o vazio?
se não mais suportar o vento frio,
que sopra pela ausência de um amor?

Será que os olhos meus perdem a cor?
Será que os dias meus perdem sentido?
Será que perde a vida seu valor
Quando ele finalmente tiver ido

O que há de caber no que é só dele?
no quarto mais intenso do meu peito?
será qual transformar um calmo leito
em sala de tortura, ou numa cela?

Será a minha mais vil sentinela
lembrando dia a dia o que perdi
e a voz do meu amado
dizendo adeus, não dá, eu desisti.

O quanto perderei se ele se for
se não o próprio ar que necessito
E nem o meu mais negro e forte grito
fará cicatrizar o dissabor
de ser a mais medíocre das aflitas;

Gilmara Costa

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"Metamorfose"

Pra transformar meu amado em poesia
quero um rio de flores e uma balsa
quero nuvens dançando ao som de valsa
quero dele, seu riso e calmaria
quero a pele somada a ousadia
o olhar mais inquieto e mais faceiro
se o suor exalar pornografia
que sufoque minha'alma esse seu cheiro.
Pra transformar meu amado em poesia
eu preciso de bem pouco [mas é tanto]
pois amor não se faz a revelia
se não tenho o quero por enquanto
é que a vida é, as vezes, covardia
e adia meu mais glorioso canto...

[Gil Costa]

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Libido e Amizade

Quando a palma da mão da insanidade, planar tensa, sobre o seu desespero;
Quando ler nos meus olhos o exagero, e o fim de uma longa castidade
E quando tudo na gente for vontade...
As correntes que predem a alegria se soltarão gritando alforria
para os beijos da nossa mocidade;
Os vulcões dos melhores erros nossos, romperam larva quente,
e os poços minaram pecado em intensidade
formarão rios cheios de sentidos
sua voz soara em tom estremecido
declarando o fim da moralidade
imprimindo em nós um novo colorido
de tons rubros, bem mais que atrevidos
misturando libido e amizade.
Gil Costa;

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

E abrindo o sorriso devagar ele disse tanto,

Que seus olhos não puderam discordar,

E durante segundos de uma sintonia perfeita,

Boca e olhos falaram tudo,

Sem que nenhuma palavra fosse dita!


[Fernanda Gaona]

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Meus poemas são mentiras preparadas
que confessam dores que eu nunca senti
tantas letras, rimas, métricas por nada
só pra enfeitar tristeza que nem vi...

Meu espírito é nascido tropical
nunca foi entregue às melancolias
não comunga de horrores medo ou mal
cantorola sambas de muita alegria!

Meus poemas são mentiras pra dar forma,
a literatura que agrada a alma,
de quem lê, e sente, vai, depois retorna...

Meus poemas não são produtos de traumas
mas de experiencia intensa que transforma
qualquer rubra tempestade em noite calma
e
[densa]...

Gil Costa;

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Presente.

Eu quero um olhar com sabor
um beijo com cor
um acorde bemol

Eu quero o calmo da brisa
um amor sem camisa
peixinho no anzol

Eu quero um belo sorriso
e chamar paraiso
um dia de sol;

[,minhas]