terça-feira, 27 de julho de 2010

"Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando."

[Pablo Neruda]

domingo, 25 de julho de 2010

...Porque o ar, assim como o tempo, traz momentos ocupados e que insistem em permanecer. Mesmo quando se está perto ou longe é preciso procurar, atentar, olhar, deixar guardado na lembrança, o toque no rosto, a mão na nuca e o toque das bocas. Como um olhar de lado, despercebido, sem vergonha, mordendo os lábios inferiores. Assim como cheiros que se confundem no ar. A vontade de ver, de falar, de estar perto, de lembrar e descobrir. E lembrar da cara que ele fica quando sorri perto de ti, mesmo que seja rindo de alguma bobagem que você falou, e falar sobre coisas difíceis e lembrar que nem tudo é... porque se tem momentos em que se fica mudo, apenas pensando sem saber o que falar. Emudecido. Quando se quer pensar mas não se consegue. Quando se pára pra pensar e não se pensa. Quando se quer decidir e nada muda. Porque a gente se acostuma ...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Chuva

Faz parar essa chuva com seus olhos de mar, com o seu respirar, com a força do abraço, essa chuva de ausências, de raios, de dormencias, relâmpagos lassos, faz meu peito acalmar...Entre a cal dessa corva, e o mar que renova essa falta de ar, pois de tudo que é mudo, não há nada no mundo, pior que esperar.

Faz a chuva parar, de regar as feridas, abertas da vida. Ah! se ela se misturasse, com o que corre em minha face, [nascentes doídas], e carregasse meu pranto, junto com meu desencanto, pra o inferno calmante de outras despedidas, seria enfim, seu beijo, aceito, pra selar minha partida.

[Gil Costa]

domingo, 11 de julho de 2010

"Tua boca"

Eu beijaria tua boca que é minha amiga
e me deixaria horas nos teus braços
como se teus lábios fossem como laços
pele quente mas com frio na barriga;

E diria entre dentes verbos lassos
sonhos que minha'alma a muito já mastiga
não engole, ou por medo ou por fracasso
da coragem e ousadia que mendiga;

E te levaria a um mundo recriado
pelo amor tão alvo que nos desobriga
desses egoismos vis, envenenados...

E não há no mundo versos que consigam
descrever meus sentimentos tão guardados
que só falam em tua boca [está, "minha"] amiga.

[Gil Costa]

terça-feira, 6 de julho de 2010

Realismo ou Fantasia.

Você quer que eu te toque de que jeito?
Com as mãos ou com os versos em poesia?
De que jeito isso mais lhe agradaria?
Sobre a pele ou por dentro do seu peito?
Qual meu toque lhe seria mais perfeito?
Realista ou transposto em fantasia?
De maneira que esquenta ou que arrepia?
Em um livro ou desnuda no teu leito?
Então diga, quer meu toque de que jeito?
Desnundando meu corpo ou minha alma?
Com gemidos ou com palavras ternas?
Me transformo em desespero ou calma?
Mas aviso,
Que se quer que eu decida,
Saiba, meu guia é uma fome atrevida
E sua carne é ceia para meu toque.

[Gil Costa]