quarta-feira, 18 de agosto de 2010

[Sexta] ausência,

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Pois hoje caminho com passos vazios
por ruas de pedras de outra cidade
que nem imaginam da minha vontade
o quanto me faltam teus toques macios

Cada novo passo é como se o rio
que corre em silêncio escondendo a verdade
soubesse o segredo da minha saudade
e o quanto minh'alma tem medo do frio

A tua ausência é o que há de mais presente
as cores desbotam, o tempo não passa
sorrisos se tornam semblantes dormentes

Tua ausência transforma alegria em fumaça
meu riso em murmúrio, liberdade em corrente
e faz do paraíso um deserto sem graça

[Gil Costa]

domingo, 15 de agosto de 2010

Oficio

Minha saudade viciou-se em precipícios
dos que custam uma vida a cada abraço
como se queda fosse um exercício
pra verticalizar, feliz, seus passos

Ele chama a constância, desperdício
e transforma poesia em estilhaços
forja versos, e chama isso de “ofício
dos que trazem no peito algum fracasso”

Minha saudade viciou-se na ausência
[ou a ausência viciou-se na saudade
por que bebe, o amor, dele, com frequência?]

E por fim, com toda a voracidade
devorou sem piedade ou paciência
os que dizem que existe a liberdade;

Gil Costa;

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A tua máscara.


Não te escondas dos fantasmas, meu amor
pois não há esconderijo que te caiba
eles farejam o teu medo aonde for
e sorrateiros te aguardam em emboscada

E não varras, apressado, a tua dor
pra debaixo do tapete do passado
cedo ou tarde vem o vento acusador
espalhando os medos teus por todo lado

ah, bem sabes que por mais que quedem mudas
tuas feridas, tuas fraquezas e teus erros
os seus ecos vivem em teu travesseiro

vai! enfrenta teu espelho, sobretudo
e não uses o teu riso como escudo
porque rir de tudo é puro desespero
[Gil Costa]