quinta-feira, 30 de julho de 2009

Chuva

Tomo as rédeas da tempestade com punhos firmes
[garanto]
A transformo em chuva fina, em água calma e divina,
Pras flores que hoje planto;
Isso aqui já foi ruína, nem faz tanto tempo, isso...
Já foi solo movediço, já foi chão de desperdício, mas agora é diferente
Quero a coisa simplesmente, sem segundas intenções
Quero um aperto de mão, quero um abraço sincero
não é muito o que eu espero, nem acho que espero em vão...
E é por isso que eu, suave, ordeno, que a tempestade
Que em tempos tão recentes, destruiu a paz urgente,
Agora seja só chuva, que me caia como luva,
Saiba, não planto semente de dores,
E a chuva, há de fazer o que eu plantei,
Florescer, um campo de belas flores

[,minhas]

terça-feira, 28 de julho de 2009

Declaração.

O que mais me encanta nela é sua capacidade de colorir qualquer ambiente com uma alegria de viver sem igual, carisma, e um dom de transmitir boas energias aos que a cercam. Basta uns minutos com ela para o meu humor melhorar. Além de tudo é um ser humano fantástico, de uma leveza encantadora e sentimentos nobres.

Vai lá:
http://risosememoriask.blogspot.com/


segunda-feira, 27 de julho de 2009

"Lembrei que tinha lido em algum lugar que a dor é a única emoção que não usa máscara. Não tínhamos dor, mas aquela coisa daquela hora que a gente estava sentindo, e eu nem sei se era alegria, também não usava máscara. Então pensei devagar que era proibido ou perigoso não usar máscara".

[Caio Fernando Abreu]

domingo, 26 de julho de 2009

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Esse impulso, às vezes cruel, não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". (...)Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.(...)Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça."

[Caio Fernando de Abreu]

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A morte do amor.


O amor não morre de golpes, poeta! Na pior das condições, se esconde, se protege, fica apagado, bege, se recua, aquieta, mas não morre, nunca, de pedradas, nem de susto, nem assim, fica arredio, cauteloso, machucado, pesaroso, encolhido, acha ruim, mas não morre, não, meu caro; Morte de amor é fato raro, demanda bem mais esforço, não é assim, por acidente, que um amor tão reluzente, se apagará, meu bom moço,inda que vossa adorada, se afaste, assim, triste, calada, silenciosa e sangrando, em nenhuma madrugada estratejaste coisa errada, ou elaboraste algum plano,não saíste aos quatro ventos confessando sentimentos, não denunciaste amores , não partilhaste as dores, nem ecoaste lamentos, mas se ela crê assim, um dia o engano tem fim e do amor, triste e calado, dá-se ao renascimento...

[,minhas]

sábado, 11 de julho de 2009

Segredo?

Você nem sabe...
se soubesse, eu nem sei o que seria
se eu contasse o que eu sinto todo dia
o quanto o que existe em mim é muito seu
talvez com tanto que há em mim, assustaria
e tantas cartas confessórias que não leu
feitas com tinta invisível de alegria
[se soubesse, eu nem sei o que seria]
é dessas coisas que traz sol em noite fria
e que abraça a gente forte, mesmo só
que contamina fácil, feito epidemia
junta almas, ata, amarra feito nó
que faz tremer a carne fraca, é mania
é santidade mista com pornografia
se soubesse o que se passa aqui por dentro
e lesse cada letra desse sentimento
não sei, mas acho, que então me entenderia...


[,minhas]

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Arranjo

Eu nunca sei que canção assoviar
quando o sol se põe sobre a minha dor
quando falta vontade, força e ar
e no caminho de pedras não há flor
Eu não sei o que canto, no refrão
muito menos o que improvisar
quando é hora do coro da canção
vem o solo, eu sozinha "mi, dó, lá"
Meu arpejo é um desejo diminuto
meu arranjo é um beijo que não dei
meu acorde é menor, em tom de luto
não há força, decreto, mando ou lei
habeas corpus e nem salvo-conduto
que me livre saber da dor que sei.
[,minhas]

quarta-feira, 8 de julho de 2009

"Mesmo sendo escritor, ouvia mais música do que abria livros; de uns tempos pra cá, não queria mais saber de romances, novelas, contos, muito embora os escrevesse. Quando sentia agora a necessidade da palavra, ia direto a algum poema. Para ele a poesia era um verbo em estado musical, se algum sentido ela expressava este não vinha de outra coisa que não da melodia deslizante pelas entrelinhas feito um véu d'agua, que mal, mal se precebe."


[Joao Gilberto Noll]