Desses dias que minh'alma é adrenalina
e que meu corpo é inquieto e impreciso
vou pichando toda a rua de alegria
vou gritando como é linda a luz do dia
e de noite perco o rumo e o juízo
faço cócegas na vil melancolia
e assusto a tristeza com meu riso;
Desses dias que me falta a boca dele
eu beijo então, sem medo aqui, essa saudade
fico olhando se o encontro na janela
onde passam meus olhos [como aquarela]
E em muros brancos de vontade
vou pintando o nome meu e o nome dele
um coração em cor vermelha e amarela
e uma flecha de cupido por vaidade;
[,minhas]
domingo, 31 de maio de 2009
sábado, 30 de maio de 2009
quarta-feira, 27 de maio de 2009
"Que eu possa respeitar opiniões diferentes da minha. Que eu possa me desculpar antes do ódio. Que eu possa escrever cartas de amor de repente. Que eu possa viajar para adorar a distância. Que eu possa voltar para dizer o que não tive coragem. Que eu pense em meu amor ao atravessar a rua. Que eu pense na rua ao atravessar o amor. Que eu dê conselhos sem condenar. Que eu possa tomar banho de cachoeira. Que eu seja a vontade de rir. Que eu possa chorar ao assistir filmes. Que eu não seduza para confundir. Que eu seduza para iluminar. Que eu não sacrifique a confiança pela covardia. Que eu tenha dúvidas, melhor do que certezas e falir com elas. Que eu faça amizades falando do tempo. Que eu possa brincar mais com meu filho sem contar as horas. Que eu possa amar mais sem contar as horas. Que eu use somente as palavras que tenham sentido. Que eu prove a comida nas panelas. Que transforme a raiva em vontade de me entender. Que eu possa soltar os vaga-lumes que prendi em potes. Que eu me lembre de ser feliz enquanto ainda estou vivo."[Fabricio Carpinejar]
terça-feira, 26 de maio de 2009
Um outro dia.
Ele veio e perguntou o que eu queriatrouxe um sorriso meu, nada mais
como fossem os meus lábios uns umbrais
sob os quais repousa inquieta a euforia;
Ele veio e perguntou o que eu queria
sem poder me revelar, sorri de novo
rio como quem faz outra poesia
e escrevo ao mesmo tempo em que me movo
peito adentro, invasão , outra paixão, outro dia.
[,minhas]
sábado, 23 de maio de 2009
Ilusão de ótica
sexta-feira, 22 de maio de 2009
terça-feira, 19 de maio de 2009
Ausência
Sua ausência é a falta de comida;Sua presença é o prato bem servido;
Sua ausência é o bilhete nunca lido sobre a mesa, avisando da partida;
Sua presença é uma carta atrevida;
Sua ausência é uma coisa morna e lenta;
Sua presença é uma festa barulhenta;
Sua ausência é silêncio, agonia, é relento em madrugada fria;
Sua presença é o sol do amanhecer;
Sua ausência é a tristeza de perder;
Sua presença é o mais lindo arco-íris;
Sua ausência é a força do desprezo;
Sua presença é o abraço necessário;
Sua ausência é a dor de quem está presa;
Completando, sozinha, este tal intinerario.
[, minhas]
domingo, 17 de maio de 2009
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue. Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo. Agonia é quando o maestro de você se perde completamente. Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente. Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado. Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo. Desejo é uma boca com sede. Paixão é quando apesar da placa "perigo" o desejo vai e entra.
(Mania de Explicação - Adriana Falcão)
(Mania de Explicação - Adriana Falcão)
sábado, 16 de maio de 2009
quinta-feira, 14 de maio de 2009
"Fico quieto. Primeiro que paixão deve ser coisa discreta, calada, centrada. Se você começa a espalhar aos sete ventos, crau, dá errado. Isso porque ao contar a gente tem a tendência a, digamos, "embonitar" a coisa, e portanto distanciar-se dela, apaixonando-se mais pelo supor-se apaixonado do que pelo objeto da paixão propriamente dito. Sei que é complicado, mas contar falsifica, é isso que quero dizer — e pensando mais longe, por isso mesmo literatura é sempre fraude. Quanto mais não-dita, melhor a paixão.(Caio Fernando Abreu)
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Marca "tua".
Desenha-me em sua pele pra nunca mais apagar;Mas com calma, devagar,
Que a pressa nunca foi meu forte
Quero entrar, mas não por corte: quero ser qual tatuagem...
Desenha-me como um corisco riscando o céu da sua boca
Desenha-me como sua roupa por sobre sua pela nua
Desenha-me como a lua em seu sol [noite de eclipse]
Seu apocalipse particular...
Ou como conto bem humano sem muitos detalhes,
Enfim faça o que quiser de mim, mas com calma,
Devagar,
Pra nunca mais apagar...
[,minhas]
domingo, 10 de maio de 2009
quinta-feira, 7 de maio de 2009
No "picadeiro"
Meu silêncio foi chamado de “opção”
minhas palavras são torcidas como arame
não há nada e nenhuma explicação
que impeça essa ferida que inflame
há em tudo um vão, uma voz, um som que é oco
e eu, pintada e inerte neste picadeiro
palhaça quieta, fatigada, triste e rouca.
[,minhas]
quarta-feira, 6 de maio de 2009
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Quando triste, sou mais eu. Quando estou triste, fico mais centrada, mais vulnerável, mais ouvinte. Mais corrimão do que degrau. Tenho mais confiança de que não sairei de uma conversa, de casa, da varanda de um suspiro. A tristeza é inteligente, sábia, metódica, capaz de ser ao mesmo tempo doce e áspera. Quando estou triste leio em silêncio, arrumo as gavetas, organizo coisas, pergunto o que não me interessa... Quando estou alegre temo não voltar a mim. Posso me largar, me beber de gargalo. A alegria emburrece. Acabo tonta. Ajo como uma criança imitando adultos, não um adulto imitando crianças. Falo besteiras, sou bem mais egoísta, não canso de repetir frases de contentamento. Sou imprevisível, ansiosa, precoce. A alegria emburrece. vira-se a noite como se fosse manhã, vira-se a mesa e a toalha. A alegria emburrece. É uma paixão por si mesmo. Minha alegria não faz poemas. Gosta de provocar. Grita quando quer calar. Grita para se calar. A alegria emburrece, não é profunda, não é intelectualiza, é legível e comunicativa . A tristeza é amorosa, conformada com o nascimento. A alegria é excitada, véspera do mundo. A tristeza economiza, protege, pede conforto, cuidados, pesquisa. A alegria é inconseqüente, livre, não aceita esmola, não disfarça carências. Enquanto a tristeza pede desculpa, a alegria pede licença. Quando alegre, sou mais o que não fui.
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[Fabricio Carpinejar, com adaptações, trechos e grifos meus]
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terça-feira, 5 de maio de 2009
“Meu maior medo não é morrer sozinho, ainda que morrer sozinho, sem visitas em um hospital ou sem pássaros num asilo, é tão triste quanto uma pilha de discos de vinil para vender. Meu maior medo é viver sozinho e não me acompanhar. Meu maior medo é perder a curiosidade da solidão. Ficar com alguém para disfarçar a espera, esquecendo do egoísmo de prender esse alguém de uma nova chance. Meu maior medo é ser reconhecido por aquilo que poderia ser. Meu maior medo é dizer sim para desistir depois, dizer não para querer depois. Meu maior medo é não ser avisado pelo medo. Meu maior medo é a necessidade de ligar a tevê enquanto tomo banho. Meu maior medo é conversar com o rádio em engarrafamento. Meu maior medo é enfrentar um final de semana sozinho depois de ouvir os programas de meus colegas de trabalho. Meu maior medo é escavar a noite para encontrar um par e voltar mais solteiro do que antes. Meu maior medo é a indecisão ao escolher um presente para mim. Meu maior medo é escutar uma música, entender a letra e faltar uma companhia para concordar comigo. Meu maior medo é escrever para não pensar.”[Fabricio Carpinejar]
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Três de Maio.
Minhas mãos tremem tanto, confesso... E já nem sei se a letra é legível, nem se há como tocar o intangível, ou aplacar o que flui de tanto excesso, ilegível ou não, agora as meço, há em mim um medo do exagero, como medo há da falta que me toma, quando ausentas de mim a tua mão, o que em mim é covarde, agora soma, a um temor que é febre e nada doma, e faminto, devora o coração.
[, minhas]
[, minhas]
domingo, 3 de maio de 2009
"me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque é assim que és e unicamente assim é que me queres e me utilizas todos os dias, e nos usamos honestamente assim, eu digerindo faminto o que o teu corpo rejeita, bebendo teu mágico veneno que me ilumina e anoitece a cada dia, e passo a passo afundo nesse charco que não sei se é o grande conhecimento de nós ou o imenso engano de ti e de mim ( .... ) essas histórias tristes, essas histórias loucas como esta que acabaria aqui, agora, assim, se outra vez não viesses e me cegasses e me afogasses nesse mar aberto que nós sabemos que não acaba nem assim nem agora nem aqui."[Caio Fernando de Abreu]
sexta-feira, 1 de maio de 2009
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