Quando triste, sou mais eu. Quando estou triste, fico mais centrada, mais vulnerável, mais ouvinte. Mais corrimão do que degrau. Tenho mais confiança de que não sairei de uma conversa, de casa, da varanda de um suspiro. A tristeza é inteligente, sábia, metódica, capaz de ser ao mesmo tempo doce e áspera. Quando estou triste leio em silêncio, arrumo as gavetas, organizo coisas, pergunto o que não me interessa... Quando estou alegre temo não voltar a mim. Posso me largar, me beber de gargalo. A alegria emburrece. Acabo tonta. Ajo como uma criança imitando adultos, não um adulto imitando crianças. Falo besteiras, sou bem mais egoísta, não canso de repetir frases de contentamento. Sou imprevisível, ansiosa, precoce. A alegria emburrece. vira-se a noite como se fosse manhã, vira-se a mesa e a toalha. A alegria emburrece. É uma paixão por si mesmo. Minha alegria não faz poemas. Gosta de provocar. Grita quando quer calar. Grita para se calar. A alegria emburrece, não é profunda, não é intelectualiza, é legível e comunicativa . A tristeza é amorosa, conformada com o nascimento. A alegria é excitada, véspera do mundo. A tristeza economiza, protege, pede conforto, cuidados, pesquisa. A alegria é inconseqüente, livre, não aceita esmola, não disfarça carências. Enquanto a tristeza pede desculpa, a alegria pede licença. Quando alegre, sou mais o que não fui.
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[Fabricio Carpinejar, com adaptações, trechos e grifos meus]
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de quem são as palavras? (eu já pensei também que alegria pode 'emburrecer' a gente, mas eu prefiro não acreditar nisso...)
ResponderExcluirAPS
[ops...obrigada!]
ResponderExcluirOlá.
ResponderExcluirVou-me apresentar: o meu nome é Gil, Victor Gil.
Encontrei-te no Bar do Bardo,
bebi as tuas palavras,
olhei-te em silêncio
enquanto falavas.
Eu sou Gil no fim. E tu és Gil com um ponto.
Quer dizer o quê.
Permite-me que te envie um beijo
Victor Gil