
Sua covardia está no medo de acordar-me.
a minha está em insistir que ainda durmo
e em guardar-me sob trancas e alarme
e colocar na alma até guarda noturno.
Sua covardia está no medo de enxergar,
a minha está em insistir que não há nada
que o que me trás insônia toda madrugada
não é sua ausência me tirando a calma e o ar.
Sua covardia está no medo de saber,
que quando olha os seus olhos no espelho,
lá estou a olhar-te com lábios de fome.
Minha covardia está na ânsia de esconder as mãos suadas,
e os meus olhos já vermelhos
pela lágrima sem festa, ao ouvir seu nome.
[Gilmara Costa]