sábado, 15 de maio de 2010

Fim?

O quanto perderei se ele for?
se cansar do peso que tem o vazio?
se não mais suportar o vento frio,
que sopra pela ausência de um amor?

Será que os olhos meus perdem a cor?
Será que os dias meus perdem sentido?
Será que perde a vida seu valor
Quando ele finalmente tiver ido

O que há de caber no que é só dele?
no quarto mais intenso do meu peito?
será qual transformar um calmo leito
em sala de tortura, ou numa cela?

Será a minha mais vil sentinela
lembrando dia a dia o que perdi
e a voz do meu amado
dizendo adeus, não dá, eu desisti.

O quanto perderei se ele se for
se não o próprio ar que necessito
E nem o meu mais negro e forte grito
fará cicatrizar o dissabor
de ser a mais medíocre das aflitas;

Gilmara Costa

3 comentários:

  1. A tua vida nunca perde o valor, só quando temos uma desilusão amorosa o nosso cerebro não capita mais este valor...

    Fique com Deus, menina Gil Costa.
    Um abraço.

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  2. UAU! Voltou com força total, menina. Pungente, intenso... é fogo que na perda queima, deixando em seu lugar o vazio que a ausência é prenhe - e que a tudo preenche... Belo!

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..me fale então!